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O ex-ministro Ciro Gomes (PDT), que foi também candidato à presidência da República na última eleição, não deixou passar em branco as discussões sobre a reforma da Previdência, pauta do momento na Câmara Federal que vem chamando atenção em todo o Brasil.

Em entrevista veiculada nesta segunda-feira (15), na Rádio Arapuan FM, Ciro apontou o que chama de ‘perversidade’, alegando que o governo Bolsonaro quer, além de mandar no Executivo, controlar o poder Judiciário.

– O Bolsonaro meteu lá dentro, não fala pra ninguém porque acredita que ninguém vai ler, que daqui pra frente, se for aprovada [a reforma], os juízes do Supremo Tribunal Federal tem que se aposentar a força, com no máximo 70 anos, e hoje a lei diz que é 75. Se ele fizer passar isso, o Supremo no governo Bolsonaro perde seis ministros e ele nomeia os seis. Ai ele passa a mandar no Executivo e passa a controlar o Judiciário, pra fazer todo tipo de perversidade e a gente, sequer, poder recorrer à Justiça. Tá lá dentro da reforma da Previdência. Têm várias dessas coisas – contou.

Outro ponto polêmico apontado pelo pedetista diz respeito à idade mínima e ao tempo de contribuição para as mulheres, destacando as que trabalham no campo.

– Mas, a maior perversidade eu tentei dizer pra vocês, é que o sacrifício que está se impondo ao povo do brasileiro de cada R$ 100, R$ 83 é no lombo de quem ganha até dois mil reais. Aí as injustiças em paralelo: ele traz a idade mínima da mulher pra 62 anos, com aquele tempo de contribuição também. De maneira que se somar o tempo de contribuição com a idade mínima vai acabar a aposentadoria, porque se na média do IBGE a expectativa de vida é de 74 anos para o pobre isso vai caindo. Quanto mais pobre, mais da favela, mais do campo, menos ele vive. Eu venho do Nordeste. Se você olhar uma mulher de 40 anos na vida rural do Ceará parece que tem 70 anos, porque o sol é inclemente, a mão enrugada de puxar enxada. É selvagem fazer isso – lamentou.

Gomes lembrou também que, de acordo com as novas regras da Previdência, setores como os da Educação e da Segurança serão prejudicados.

– Em nenhum lugar do mundo um professor é obrigado a dar 40 anos de aula pra ter aposentadoria integral. Policiais na reforma estão obrigados a dar 40 anos de trabalho correndo atrás de bandido. Se passar no concurso com vinte e um anos vai estar com 62 correndo atrás de bandido – frisou.


Paraíba Online

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