» » » Mãe de bebê com microcefalia filma tratamento para ajudar outras famílias que não tem acesso as terapias

Bolinhas coloridas, chocalhos barulhentos e bonecos que acendem. Com esses apetrechos simples, a dona de casa Thaís Veloso, de Campo Grande (MS), estimula diariamente a pequena Manu, nascida há onze meses com microcefalia, na tentativa de melhorar seu desenvolvimento. 
Os estímulos ao longo dos três primeiros anos de vida de um bebê com a má-formação são essenciais para a evolução do sistema nervoso central. Das sessões de fisioterapia, fonoterapia e terapia ocupacional dependem se uma criança conseguirá, no futuro, segurar o pescoço, sentar ou até andar. Thaís criou um canal no YouTube para compartilhar os exercícios que Manu faz durante as terapias. Quer ajudar outras mães de bebês com microcefalia a reproduzir, em casa, o tratamento que nem sempre conseguem na rede pública de saúde.
A gravidez de Thaís foi tranquila. O único contratempo ocorreu do terceiro para o quarto mês, quando seu corpo foi tomado de manchas vermelhas, um dos sintomas da zika. O médico disse que era alergia, e ela se tranquilizou.Thaís percebeu que havia algo diferente com o desenvolvimento da filha quando Manu completou quatro meses.A comparação inevitável com um priminho da mesma idade deixava evidente que sua evolução era mais lenta: a menina não tinha firmeza para sentar, tampouco conseguia segurar os brinquedos. Thaís contemporizou: “Minha filha deve ser mais preguiçosinha, preciso respeitar o tempo dela”. Três meses depois, Manu passou a apresentar um comportamento que causou estranheza em toda a família. De forma involuntária, esticava os braços e as pernas com força, até ficarem enrijecidos. Thaís agendou uma consulta com um neurologista para começar uma investigação. “Isso não é normal, isso se chama espasmo. O caso dela tem tudo para ser microcefalia”, disse o médico.
O resultado do exame saiu em 31 de outubro passado, um sábado. Como a segunda-feira seguinte era feriado de Finados, o médico pediu aos pais que passassem em seu consultório só na terça, o próximo dia útil. Thaís telefonou desesperada e pediu para antecipar a consulta. Seguiu para a casa do obstetra com o marido, e recebeu a notícia que tanto temia. “Ele pegou um tablet e começou a explicar o que era microcefalia. Pensei: se ele está explicando tanto, é porque é mesmo o caso da minha filha”. Thaís chorou desconsolada. O marido, Bruno, não quis aceitar assim que soube. Repetia que a filha não tinha “isso não” - evitava até a palavra “microcefalia”.
Pouco antes do parto de Manu, Thaís parou de trabalhar. Bruno foi demitido em decorrência da nova rotina de escapadas até as consultas médicas e as sessões de terapia da filha. Desde então, os dois se mudaram para a casa dos pais dele, e vivem com o fim do seguro desemprego. O casal espera conseguir, em breve, o benefício que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) oferece a pessoas com deficiência, um salário mínimo ao mês. Assim que descobriu a condição de Manu, Thaís contratou um convênio particular por R$ 186, pago pela sogra. Quer recuperar os meses perdidos. “Agora é tudo muito intenso”, diz Thaís. “Não tem um dia da semana que não temos sessão de terapia”.
Durante as sessões com os profissionais, Thaís filma cada movimento da filha e coloca os vídeos no canal “Microcefalia não é o fim”, no YouTube. Num dos vídeos, Manu aparece sentada numa piscina de bolinhas tentando pegar as pequenas circunferências coloridas. Em outro, está deitada de bruços no colo da fisioterapeuta para treinar o endurecimento do corpinho. “Quero mostrar para outras famílias que, com estímulo, nossos anjinhos podem se desenvolver tanto quanto uma criança normal”, diz Thaís.

época 

Postador Sebastião Barbosa

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